Jesus Cristo foi Torturado?

A resposta é NÃO!

Contudo, se você não está satisfeito com ela, quero convidá-lo para seguir a leitura e entender melhor a resposta, mas antes de começarmos, temos que saber responder uma pergunta muito importante: Por que foi necessário que Cristo, o Redentor, morresse?

E para responder, vamos até a pergunta 24 do Catecismo Nova Cidade (1) onde encontramos a seguinte resposta: “Como a morte é o castigo pelo pecado, Cristo morreu VOLUNTARIAMENTE em nosso lugar para nos libertar do poder e da pena do pecado e trazer-nos de volta para Deus. Por sua morte substitutiva e de expiação, somente ele nos redime do pecado e obtém para nós perdão dos pecados, justiça e vida eterna.”

Entendendo que Cristo se entregou, agora temos que definir o conceito de tortura e para isso, vamos consultar o Dicionário On-line Michaelis (2), que diz: “Sofrimento físico ou moral imposto a alguém, geralmente para obter alguma revelação; suplício, tormento”.

Assim, entendendo que Cristo se sacrificou e que uma tortura não se trata de um sacrifício voluntário, já começamos a entender melhor a resposta, mas podemos ir mais além.


Indo um pouco mais além, podemos desenvolver melhor o assunto sobre o sacrifício de Jesus e a sua real necessidade, para isso recorro a três importantes passagens descritas pelos teólogos Matthew Barrett, R.C. Sproul e João Calvino, veja.
Contudo, Jesus antes de ser crucificado, foi alvo de zombaria e humilhado por soldados Sírio-Árabes que conseguiam se comunicar com Jesus, justamente por saberem aramaico, colocaram uma coroa de espinhos em sua cabeça e se curvaram diante dele dizendo: Salve, Rei dos Judeus! (Mc 15.17) Vendaram seus olhos e diziam: Profetiza, quem foi que te bateu? (Lc 22.64). Contudo, não houve tortura, mas zombaria, uma brutal zombaria!

“Calvino respondeu em termos do que foi chamado de “necessidade hipotética consequente”. Não havia necessidade absoluta, apenas uma necessidade derivada do decreto celeste do qual dependia a salvação do homem: “Nosso Pai mais misericordioso decretou o que era melhor para nós”.” Relato de M. Barrett.(3)

“EXPIAÇÃO E PROPICIAÇÃO As Escrituras falam sobre dois aspectos distintos desta ação vicária: expiação e propiciação. Expiação, que contém o prefixo ex-, o qual significa “fora de”, é a remoção da culpa de alguém. É a dimensão horizontal da expiação. Este aspecto é visto no drama do bode expiatório. O pecado do povo era transferido para o bode, e, depois, o bode levava embora os pecados, quando era removido da presença de Deus e levado para o deserto longínquo. O salmista usa a linguagem de expiação: “Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões” (Sl 103.12). Na realidade, é claro que nossos pecados não são transferidos para um bode expiatório, mas para Cristo, que é o Cordeiro de Deus que tomou sobre si mesmo a nossa culpa. Ele se tornou o carregador de pecados, cumprindo assim as profecias relacionadas ao Servo do Senhor, achadas principalmente em Isaías 53: “Ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (v. 5). A propiciação envolve a dimensão vertical da expiação. No ato de propiciação, a ira justa de Deus é apaziguada, e sua justiça é satisfeita. A obrigação moral que devemos por nossos pecados é paga a Deus, que assim fica aplacado. Ele fica totalmente satisfeito com o preço que foi pago por nosso substituto. Se não temos um substituto, não pode haver expiação nem propiciação, porque não somos capazes de satisfazer as exigências da justiça de Deus. Se fôssemos, não haveria necessidade de expiação, mas, visto que não podemos pagar nossa dívida moral, há uma absoluta necessidade de um substituto. Eu me vejo frequentemente em discussões com céticos que fazem perguntas sobre as reivindicações de verdade do cristianismo. Se respondo uma pergunta de modo que ficam satisfeitos, eles têm sempre outra pergunta engatilhada. Por fim, eu paro o ciclo interminável perguntando-lhes: “O que você faz com sua culpa?” Isto, geralmente, é o que acaba com a conversa, porque eles não têm nenhuma resposta, exceto alguma forma de negação da culpa. É trágico ouvir pessoas dizerem que não têm nenhuma culpa. Todos somos culpados diante de Deus. Precisamos tanto do aspecto vertical quanto do aspecto horizontal da expiação, e ambos envolvem um substituto.” R.C. Sproul. (4)

“De fato, eles sempre têm em suas bocas as boas obras; entretanto, de tal modo instruem as consciências que nunca ousam nutrir confiança de que Deus se mostra bondoso e favorável às suas obras. Não estamos induzindo os homens a pecar quando afirmamos o perdão gracioso dos pecados, mas estamos dizendo que esse é de tão grande valor que não pode ser pago por qualquer obra nossa. Portanto, nunca pode ser obtido exceto como um dom gracioso. De fato, agora ele nos é gracioso, mas não foi assim para Cristo, o qual, prazerosamente, o trouxe ao custo de seu santíssimo sangue, além do qual não havia nenhum resgate de valor suficiente que satisfizesse a justiça de Cristo. Quando isso é ensinado aos homens, eles se tornam cientes de que seu santíssimo sangue é derramado sempre que pecam. Além disso, afirmamos que nossa torpeza é tal que nunca pode ser purificada exceto pela fonte desse puríssimo sangue. Os que ouvem tais coisas — se possuem algum senso de Deus -, como não se horrorizariam por ser revolver na lama, quanto possam, enquanto conspurcam a pureza dessa fonte? “Já lavei os pés”, diz a alma crente, no dizer de Salomão, “tornarei a sujá-los?” (cantares 5.3). João Calvino. (5)

 
 

Augusto MarquesAugusto Marques

(1) Keller, Timothy. Catecismo Nova Cidade: A verdade de Deus para nossos corações e mentes — Devocional (Locais do Kindle 2575–2584). Editora Fiel. Edição do Kindle.

(2) https://goo.gl/sLGZpd

(3) Teologia da Reforma pg.327 de Matthew Barrett — Editora Thomas Nelson Brasil

(4) Sproul, R.C.. Somos Todos Teólogos: Uma Introdução à Teologia Sistemática (pp. 242–244). Editora Fiel (www.editorafiel.com.br). Edição do Kindle.

(5) João Calvino — Institutas da Religião Cristã — pg.106 Editora Fiel 2018

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